segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Rá-Tim-Bum! Por dentro da exposição dos 20 anos do Castelo Ratimbum



Há 20 anos a TV Brasileira estreou a maior produção infantil brasileira já feita para a TV: O Castelo Rá-Tim-Bum. Um universo que o Museu da Imagem e do Som de São Paulo abriu ao público até o dia 16 de novembro de 2014. Organizado pelo curador Renan Daniel, a exposição é mais que um passeio nostálgico ao universo de Nino, do ratinho e de diversos personagens que fizeram parte da infância dos anos 90. É o resultado de uma vasta pesquisa histórica e conceitual do Castelo e todos os seus detalhes.


Desde a entrada, todos os ambientes apresentam roteiros originais anotados pendurados nas paredes, desenhos dos personagens (da primeira concepção ao final), manequins deles em tamanhos reais, fantoches e cenários. Muitas das peças também são interativas, o que torna o passeio ainda mais nostálgico. 

Dez ambientes, como o saguão, a biblioteca e o quarto do personagem Nino (incluindo até a porta giratória) foram recriados com riqueza de detalhes. Bonecos originais, como a cobra Celeste, o Porteiro, o Mau e as botas Tap e Flap também estão em exibição. E o passeio flui de forma mágica. 

Os visitantes são recepcionados pelo porteiro e logo na entrada encontram com uma projeção do Nino apresentando o Castelo. O famoso relógio que anuncia a chegada do Dr. Vítor está ao seu lado simbolizando o momento em que nos despedimos do nosso tempo e mergulhamos no tempo do Castelo.

Depois disso, os visitantes são guiados pela Biblioteca, o laboratório do Tíbio e do Perônio, o escritório do Dr. Vítor, o esgoto onde se escondia o Mau, e diversos outros ambientes. Destaque para a maestria com que foi reproduzida a cozinha, o corredor etére iluminado por cores frias do Etêvaldo, e é claro, a sala de estar, com a belíssima árvore da Celeste. 

Há ainda uma área com vídeos, mini-documentários resultados de entrevistas com diversos profissionais envolvidos na criação e execução do programa. Vale muito a pena parar para ouvir as histórias e curiosidades do Castelo.

Um detalhe que poucos percebem é que, ao visitar o quarto da Morgana, há um áudio em que a personagem lança um feitiço para "encolher" os visitantes. Nesse momento, passamos por um "portal" em que visitamos as áreas menores como o ninho dos passarinhos cantores e o lustre das fadinhas Lana e Lara. 

A exposição é belíssima e já garantiu record de público ao Museu da Imagem do Som. Quem quiser visitar terá até dia 16 de Novembro (a exposição seria encerrada no dia 12 de Outubro, mas foi prorrogada). Mas será preciso chegar cedo e enfrentar um filão para conseguir ingressos. 

Se vale a pena? O passeio é sensacional, e vale muito a pena! Não perca a oportunidade de conhecer. 

Minha torcida é que ela possa vir ao Rio para que eu possa voltar! E segundo o curador Renan Daniel as chances são grandes. A expectativa é que a exposição possa visitar outras regiões do país.  

Sobre o programa

Castelo Rá-Tim-Bum foi um programa de televisão brasileiro voltado para o público infanto-juvenil, produzido e transmitido pela TV Cultura entre 1994 e 1997. O programa foi parcialmente inspirado no também educativo Rá-Tim-Bum, e deu origem a uma franquia televisiva, da qual também faz parte Ilha Rá-Tim-Bum. O Castelo é uma criação do dramaturgo Flávio de Souza e do diretor Cao Hamburger, com roteiros de Dionisio Jacob (Tacus), Cláudia Dalla Verde, Anna Muylaert, entre outros. Com a colaboração de 250 profissionais entre diretores, atores, equipe de efeitos visuais, cenógrafos, pintores, marceneiros, músicos, professores de português, especialistas em pedagogia, o Castelo Rá-Tim-Bum foi eleito o melhor programa infantil de 1994 pela Associação Paulista de Críticos de Arte - APCA. Ainda em 1994 e 1995, recebeu a medalha de prata na categoria melhor programa infantil do Festival de Nova York; em 1995, ganhou o Prêmio Sharp de Música para o melhor disco infantil; e entre 1999 e 2001 a série foi exibida para toda América Latina pelo canal a cabo Nickelodeon.  A audiência da série foi considerada um sucesso para a TV Cultura, com uma média de 12 pontos, índice jamais alcançado por uma série educativa ou por um programa da emissora.

Folder da exposição

Agora você pode visualizar e fazer download do Folder da exposição em qualquer lugar que estiver!Para acessar clique aqui.



Ficha Técnicas
Data: de 16 de julho a 12 de outubro 25 de Janeiro de 2015.
Horário de funcionamento: de terça a sexta, das 12h às 21h. Sábados, das 10h às 22h. Domingos e feriados, das 10h às 20h.
Local: MIS-SP.
Endereço: Avenida Europa, 158 − Jardim Europa − zona Oeste − São Paulo.
Preço: na bilheteria, R$ 10. Antecipado, R$ 30. Estudantes têm 50% de desconto.

Tel.: (11) 2117-4777.
http://www.mis-sp.org.br/icox/icox.php?mdl=mis&op=programacao_interna&id_event=1602

domingo, 7 de setembro de 2014

Pare de odiar a segunda-feira.

É difícil não odiar a segunda-feira: primeiro dia de trabalho depois do final de semana, ressaca, desânimo e vontade de ficar na cama. Mas aqui seguem algumas dicas básicas para mudar seu humor nas segundas-feiras:

  1. Tome um café da manhã reforçado. Na melhor para começar o dia do que comer bem. De preferência, bem acompanhado também.
  2. Chegue no trabalho listando o que precisará resolver no decorrer da semana.
  3. Marque para almoçar com um(a) amigo(a) querido(a).
  4. Programe-se para, ao chegar em casa depois do trabalho, assistir seu programa favorito comendo algum 'guilty-pleasure' (pipoca, chocolate, etc.)
  5. Escolha um colega de trabalho para conversar sobre o final de semana. Provavelmente você fez algo que gostaria de compartilhar e também poderá ouvir alguma história ou recomendação interessante.
  6. Comece a planejar o próximo final de semana!
  7. Avalie o que te faz odiar a segunda-feira. Se é o trabalho, mude! Corra atrás de um novo emprego e uma carreira que possa realmente amar.
Você pode ser amigo da segunda-feira, mesmo que sua melhor amiga seja a sexta-feira. Com um pouco de planejamento e um pouco de pensamento positivo você vai banir a "deprê" da segunda-feira e se tornar mais produtivo e menos estressado.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O Legado de Joan Rivers, a comediante que abriu caminho para mulheres na TV

O Legado de Joan Rivers, a comediante que abriu caminho para mulheres na TV


Quem ouve falar de Joan Rivers logo pensa na comediante ácida, que alfinetava todas as celebridades desde a forma como elas se vestem, pelo seu tipo físico ou que fazia de desastres motivo de piada. A fama de uma humorista desrespeitosa e que não conhece limites porém abafa uma história brilhante e pouco reconhecida atualmente. A história da primeira mulher que ousou surgir na TV fazendo comédia em um ambiente dominado por homens. Que passou por cima de todos os preconceitos e mudou a história do humor.

Joan Alexandra Molinsky era filha de imigrantes russos e nasceu no Brooklyn em 08 de junho de 1933. Ela estudou toda a sua vida no Brooklyn, e era uma excelente aluna. Foi laudeada com louvor na Barnard College, onde se formou em Inglês em 1954. Mas ela queria ser uma atriz dramática. Ela cresceu para ser Joan Rivers - a estrela que faleceu no dia 3 de setembro de 2014 com 81 anos.

Verborrágica, ácida e com uma voz cortante, foi uma das celebridades que mais trabalharam no show business. Seu currículo inclui 12 livros, roteiro e direção de um filme (Teste Coelho, 1978), muitas aparições em talk-shows, seu próprio talk show, dois discos de comédia, um aclamado documentário (Joan Rivers: A Piece of Work, 2010), ganhou uma temporada de The Celebrity Apprentice, seu próprio reality show com sua filha, Melissa (Joan Knows Best), inúmeras performances de stand-up por décadas, e, mais recentemente, a apresentação do Fashion Police.

Com uma carreira tão longa, como Joan Rivers será lembrada? 

Suas piadas sem-limites e seu rosto cirurgicamente modificado são o que mais circulam na mídia e provavelmente nas mentes da maioria das pessoas. Mas Rivers tem uma influência e um legado que deve ser reconhecido. 

Ela começou sua carreira de um modo diferente. Ela se apresentou em um trio de comédia popular, "Jim, Jake & Joan" no início dos anos 50 e com um stand-up em cafés e discotecas de NY na década de 1960. Mas a comédia "Hipster" não funcionou para Rivers. A cena de Nova York era dominada por homens - Woody Allen, Lenny Bruce, Mort Sahl - muito mais que o cenário cultural em geral. 

Mudando seu sobrenome para Rivers, ela começou a trabalhar no campo da auto-depreciação feminina. Isso a fez sentir-se segura no palco, virando suas piadas afiadas e ácidas contra si mesma. Foi nesse momento que Joan começou a surfar contra o mundo que sempre se posicionava contra a mulher. Em um stand-up histórico na abertura do The Ed Sullivan Show ela protestou contra a dificuldade de encontrar um homem, questionando por que isso era algo pelo qual a mulher era julgada.

Aparições no The Tonight Show com Johnny Carson a levaram ao sucesso e à fama mainstream. Ela foi por algum tempo a performer mais bem paga de Las Vegas, mesmo entre os homens. Em 1987 ela recebeu uma proposta para apresentar seu próprio show de TV na Fox por US $ 10 milhões. Após o sucesso inicial, ela começou a enfrentar problemas com a censura da emissora e ciúmes do seu antigo parceiro de trabalho. 

Seu show foi cancelado e logo em seguida seu marido Edgar Rosenberg cometeu suicídio. Ela não conseguiu um novo show na TV porque as redes achavam que ela tinha um amante enquanto casada (seu ex-marido tinha dito isso). Mas ela conseguiu superar tudo isso com bom humor. No documentário em que foi objeto ela comentou. "Após Edgar se matar, eu saí para jantar com Melissa (filha). Eu olhei para o menu e disse: 'Se o papai estivesse aqui para ver esses preços, ele se mataria mais uma vez.' "

E o mundo estava ficando cada vez mais saturado de celebridades. Um novo nicho de notícias surgia com fome de conteúdo. A demanda por informações sobre as celebridades crescia e isso ocupava um espaço na mídia cada vez maior. Rivers estava lá para o nascimento deste novo segmento. 

O estilo de humor "Snark" que ela adotou (termo cunhado por Lewis Carol para definir um animal imaginário sobre o qual todos querem saber, mas que é difícil de encontrar) funciona de forma eficaz e um tanto inofensiva contra celebridades. Mas esse tipo de humor não funciona com o resto do mundo, é tido como antiético. E foi aí que Joan irrompeu o trágico espetáculo. 

Certa vez ouvi em uma entrevista de uma celebridade aleatória que ela acha bom receber críticas ácidas de humoristas, pois isso a ajudava a ter uma "casca mais grossa" e ser mais imune à críticas negativas que as mulheres que ficam em evidência recebem diariamente. De certa forma é possível encarar esse tipo de humor de Joan Rivers como uma contribuição às celebridades que se exibem para o mundo mas talvez não estão tão preparadas para ouvir o que o mundo tem a dizer sobre elas. Porém, fazer humor de desastres que envolvem pessoas comuns, que não têm a "casca grossa", é algo extremamente delicado e quase sempre de mal gosto. 

Por isso, as observações de Joan sobre o 9 de setembro ("Encontre-me para almoçar no 'Windows on the Ground' ", referência ao famoso restaurante no topo do World Trade Center 'Windows on the World' ), sobre o Holocausto ("A última vez que um alemão pareceu tão quente [sobre Heidi Klum] foi quando eles estavam empurrando os judeus para os fornos ") e, mais recentemente, sobre os palestinos são muito difíceis de conciliar.

Não saber conciliar esses dois mundos (o mundo real e das celebridades) foi o que fez com que Joan fosse mais conhecida pela falta de sensibilidade aos fragilizados por tragédias do que pela seu humor sagaz, inteligente e sempre afiado. 

O humor auto-depreciativo formou a base de sua carreira, e ela continuou a tirar sarro de si mesma por décadas. A ponto dela usar suas próprias cirurgias plásticas como material de sua comédia. Um trabalho que, mesmo nem sempre funcionando, abriu caminhos para as mulheres na televisão (The Mo'Nique Show, Chelsea Lately, Ellen Degeneres) e na comédia (Sarah Silverman, Amy Poehler, Tina Fey, Julia Louis-Dreyfus). Ela também deu voz a diferentes tipos de mulheres que não eram visíveis: as viúvas, mulheres que enfrentam o envelhecimento, mulheres furiosas.

Se eu fosse tão talentoso quanto ela faria aqui alguma piada sobre a morte dela. E eu sei que ela gostaria de ler. Mas infelizmente eu não sou. E poucos um dia serão.





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