terça-feira, 24 de março de 2015

Mariah Carey x Madonna: 4 lições de Gestão Estratégica que Mariah pode aprender com Madonna

Mariah Carey x Madonna: 4 lições de Gestão Estratégica que Mariah pode aprender com Madonna


Mariah Carey completou 25 anos de carreira em 2015 aos 46 anos de idade. Graças a seu talento genuíno e por produzir materiais relevantes conseguiu se manter por quase 3 décadas no cenário musical em que artistas aparecem e somem cada vez mais na velocidade da luz. Porém, esses anos foram cheios de altos e baixos e atualmente a cantora se vê com dificuldade de manter valores positivos associados a seu nome na opinião pública. 

Madonna enfrenta problemas semelhantes aos de Mariah, com 56 anos de idade e 34 anos de carreira, considerada velha pelo mercado misoginista da música pop. Porém, a cantora consegue manter os valores positivos de seu nome e agrega cada vez mais valor à sua marca. 

Madonna não é uma cantora extremamente talentosa, nem ao menos uma compositora exímea ou excelente atriz, algumas das qualidades que a Mariah possui mas não tem conseguido usar a seu favor. O que Madonna tem feito para se destacar na indústria do entretenimento? Como ela consegue usar seus pontos fortes como energia, inteligência e vitalidade? Que lições de gestão estratégica de marca Mariah Carey poderia aprender com Madonna? 

Baseado no livro "Contemporary Strategy Analysis" de Robert M. Grant e na publicação milenar "A Arte da Guerra" de Sun Tzu, aponto a seguir 4 fatores chave para o sucesso da marca Madonna que Mariah Carey também deveria adotar.



1. Alvos objetivos, consistentes e a longo prazo

A carreira de Madonna é uma incessante busca pelo estrelato, processo no qual outras áreas de sua vida foram subjulgados ou absorvidos. Ela tinha o objetivo de se tornar um ícone pop, e batalhou envolvendo nessa missão todas as áreas da sua vida. Ela quase nunca tira férias e está envolvida em todos os processos que têm o seu nome: discos, clips, shows, filmes, livros, trabalhos de caridade, roupas... E o que lhe falta em talento ela consegue aproveitar inteligentemente de outros colaboradores: escritores, músicos, coreógrafos e designers. Todos amigos, ou até maridos, que trabalharam ao seu lado. Todos com objetivos bem delineados ao dela.  

Mariah também conseguiu se lançar no mercado depois de vários anos tentando e fazendo contatos. Mas os seus alvos nos últimos anos não parecem consistentes nem mesmo a longo prazo. Ela quer ser um ícone do natal? A maior diva dos anos 90? Diva atual do R&B? A maior voz dessa geração? Algumas ações falhas mostram que Mariah e sua equipe traçam objetivos a curto prazo (metas por álbum, como o projeto 'o retorno da voz' do Emancipation of Mimi que durou apenas 2 anos e foi manchado com o enfraquecimento de sua voz) e seus relacionamentos e amizades acabam mais atrapalhando do que ajudando sua carreira, (com exceção de Tommy Motolla que a lançou no mercado). Além disso a cantora não apresenta muita disciplina (treinamento vocal ou pontualidade em compromissos) o que atrapalha muito seu envolvimento por inteiro em seus projetos.

Assim como Madonna, Mariah precisa definir um alvo claro e ter ações consistentes com ele e fazer disso sua estratégia a longo prazo.



2. Profundo conhecimento da concorrência

Madonna desde que surgiu tem um profundo conhecimento dos ingredientes para o estrelato e o que gerava apelo popular. Ela explorou desde a máxima do marketing "sexo vende" até os critérios adotados pela mídia crítica e pelos canais de distribuição. E suas periódicas reincarnações refletem uma consciência precisa das mudanças de atitudes, de estilos e de normas sociais. Isso transformou ela de uma artista a um ícone, uma provocadora, diva coroada como "rainha do pop". 

Mariah nos anos 90 demonstrava um profundo conhecimento do mercado da música R&B e suas tendências. Prova disso é que ela foi pioneira no gênero e foi a criadora de um estilo que formou divas atuais como Beyoncé, Christina Aguillera, Adele e Rihanna. Mas na última déca Mariah deixou de acompanhar o mercado e por diversas vezes demonstrou desconhecimento dos novos artistas que surgiam no gênero e de tendências atuais, por sua insistência em ressuscitar o R&B clássico. Enquanto Madonna fazia parcerias e acompanhava Britney, Christina Aguillera, Justin Timberlake e Lady Gaga, Mariah não ouve nem Beyoncé, maior formadora de opinião da música atual, e quando faz parcerias como a com Justin Bieber acaba arrastando o artista jovem para seu estilo antiquado e fazendo o caminho reverso.

Após definir seu objetivo, Mariah precisa explorar características de ícones do R&B atual e explorar ingredientes que os mantêm lá. Explorar o que a mídia têm consagrado, analisar quais as tendências do gênero e trabalhar em inovações que ela pode fazer para se posicionar como pioneira. Acima de tudo, ela precisa estar próxima desses novos artistas para pertencer colaborativamente a este mercado, e não se distanciar deles.



3. Uso preciso dos recursos


Ao se posicionar como "rainha do pop", Madonna explorou suas habilidades de desenvolver e projetar sua imagem, de se auto-promover e de explorar tendências emergentes, assim evitou ser julgada simplismente pelos seus talentos de cantora ou atriz. Suas performances ao vivo se apoiam em grande parte em uma equipe gigantesca dos mais talentosos: dançarinos, músicos, vocalistas, coreógrafos e técnicos, compensando dessa forma qualquer fraqueza em suas próprias capacidades performáticas.


Mariah sempre se posicionou como "a voz", e começou a enfrentar sérios problemas na mídia quando sua voz começou a apresentar problemas por fatores como envelhecimento e falta de disciplina vocal. Suas deficiências performáticas ficam ainda mais evidentes quando sua voz falha. 

Mariah é uma grande produtora além de ainda ter um grande talento vocal. A cantora perdeu uma grande oportunidade de mostrar isso no American Idol, quando além de se envolver em um conflito com Nick Minaj fez lip-sync de sua performance no final do programa. Ela devia voltar a fazer vocal couching e rearranjar suas canções de acordo com suas atuais capacidades vocais, já que o foco de sua carreira sempre será sua voz. Além disso, poderia começar a produzir novos artistas e lançá-los no mercado, uma forma de se posicionar novamente como uma artista relevante e passar a ser avaliada também como uma produtora e compositora, e não simplismente como vocalista. 

Além disso, Mariah insiste em se posicionar como a cantora que mais vendeu discos e que é recordista de singles Nº1. Estes são recordes que podem ser perdidos (como vem acontecendo) e não características natas. Como Madonna, Mariah poderia trabalhar mais seus álbuns conceituais, que busquem menos grandes vendas e mais críticas positivas que agreguem valor ao seu nome.



4. Implementação eficiente

Sem uma implementação eficaz, as estratégias mais brilhantes seriam de pouco uso. Sua eficiência como líder na tomada de decisões, a energia para implementá-las, eficácia para inspirar lealdade e comprometimento de seus funcionários e do seu público (fãs) são fatores vitais para o sucesso de Madonna

Mariah até hoje tem demonstrado certa deficiência como líder. Na Sony, em constante conflito com Tommy Motolla, e posteriormente tendo dificuldade em colocar suas aspirações artísticas e comerciais em harmonia com interesses de suas gravadoras. Constantemente mudou de produtores executivos, seja por não alcançarem sucesso comercial ou por divergência de visões. 

Mariah possui algumas parcerias sólidas na música como Jermaine Dupri e James "Big Jim" Wright. Agora ela precisa se cercar dos meios e de profissionais corretos em outras áreas para conseguir alcançar seus objetivos estratégicos. Ter funcionários talentosos, leais e comprometidos com essa meta.



Capas Mariah Carey x Madonna: 4 lições de Gestão Estratégica que Mariah pode aprender com Madonna
Capas dos mais recentes álbums de Madonna e da Mariah: Madonna com um título claro (Rebel Heart) que reforça sua identidade ousada, objetivo e arte conceitual x Mariah com três títulos (Me. I Am Mariah. The Elusive Chantouse), sem conceito definido e com arte antiquada abusando da ferramenta que mais a faz ser criticada, o Photoshop.

Resumindo, Madonna está até hoje consagrada como rainha do pop com cada vez mais valores positivos por: ter objetivos claros, compreender o mercado competitivo, conhecer seus recursos e implementar eficientemente as estratégias. Explorando bem estes 4 tópicos Mariah Carey pode retomar a imagem positiva que carregou nos anos 90 e recuperou por um breve momento em 2005.


Que outros artistas além de Madonna você acha que têm feito uma boa gestão estratégica? E que outros artistas precisam aprender essas lições? Comente!

6 comentários:

  1. Christina Aguilera não têm o seu nome estampado em outdoor ou em propagandas mas já se mantem acidua no mercado. O oposto de sua colega Britney Spears...

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    1. Interessante os exemplos Marllon. Seria uma pesquisa bacana de fazer, explorando como a Aguillera e a Britney têm gerido suas marcas. Também tenho a sensação de que a Aguillera tem sido mais eficiente a longo prazo.

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  2. Parabéns pelos tópicos! Excelentes pontos abordados!

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    1. Obrigado Charles! Um esbaço para uma futura pesquisa mais completa.

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  3. Gosto muito de ambas, porém a Mariah está deixando muito a desejar principalmente no quesito setlist de seus recentes shows, se puderem observar a maioria da sua setlist é embasada em suas músicas de sucessos anteriores restando pouco espaço assim para as músicas novas, para se ter uma ideia no seu show em 22 de outubro de 2014 das 19 canções apenas 5 eram do seu álbum recente (Me. I Am Mariah...) se essa só ficar nisso tipo eu me questiono "Então pra quê fazer álbuns novos?Sendo que ela pode relançar a todo tempo compilações?"

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  4. Gente, Mariah Carey é cantora de verdade, tem voz, Madonna é performer e, uma figura do Show business, não necessariamente uma grande cantora com uma grande voz, cada uma na sua.

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