segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Escravos da cultura.

Todos querem ser livres. Mas o conceito de liberdade hoje em dia está tão corrompido… Seria livre aquele que ouve as músicas da moda, veste as roupas do momento, usa o vocabulário que todos usam, lê os livros que são mais comentados e vê aqueles filmes que são os mais vistos?


Nos últimos dias estava notando o quanto nos tornamos escravos da cultura. Criou-se um rebuliço na mídia por causa do livro “O Caçador de Pipas”. Cheguei a pegar o dito cujo mas consegui ler apenas dois capítulos. Achei a leitura tediosa e longe do meu gosto pessoal. Imaginei quantas pessoas leram esse livro que de tão elogiado pela mídia impedia essas pessoas de falarem qualquer coisa contra ele.

E isso se repete com outros livros, com filmes, com músicas… Todos precisam ler Kafka para ser cultos! Ai de quem não ouvir Frank Sinatra ou Tom Jobim. Como pode alguém ainda não ter lido “O Código Da Vinci”? São uns pobres mortais incultos os que nunca ouviram Grace Jones... A senhora cultura vai nos obrigando a ouvir, ler e ver apenas o que ele quer. E o pior: ela faz com que nós queiramos o que ela quer. E assim nós vamos nos tornando cada vez mais escravos dessa cultura.

Liberdade? Senhores e escravos? Quem domina e quem é dominado? Goethe já dizia: “Ninguém é mais escravo do que aquele que se considera livre sem o ser”. Desde cedo alienamos nossa liberdade… Na verdade, nos tornamos escravos da mídia, que manipula as massas, que dita as novas tendências do consumo, do entretenimento, da política, dos negócios, da moda e até mesmo religião. Sim, escravos do consumo, escravos da moda, escravos da competição…

Enfim, nos tornamos “tendenciosamente” livres. O dito popular “Ouve o que eu digo, mas não faça o que eu faço” ilustra muito bem esta grande verdade de Goethe em paradoxo ao exemplo por ele próprio vivido (Ele foi contra a Revolução Francesa e foi contra a presença dos ‘pobres’ nos meios mais cultos). E o que é realmente a liberdade? Seremos realmente livres? Sempre há alguma condição a limitar as decisões e ações supostamente livres. Como dizia Kant, nem que sejam as próprias paixões do Homem.

A verdadeira liberdade está no ato de saber dizer não para o mundo ou para si próprio. Eu escolhi não fumar. Eu escolhi não falar palavrões. Eu escolhi não ler “O Caçador de Pipas” e qualquer obra de Kafka. Não quero viver escravizado por nada: nem pela cultura, nem por religião, nem pelo mundo e nem por mim mesmo.

Enxergo o que muitos escravos do planeta azul ainda não conseguiram enxergar: que só Deus pode fornecer a verdadeira liberdade ao ser humano.

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