segunda-feira, 28 de junho de 2010

Kick-Ass - Terrivelmente Interessante

Os mais tradicionalistas se escandalizaram, afinal de contas o filme tem como uma das protagonistas uma garotinha de 11 anos cometendo assassinatos em série a sangue frio. Mas é inegável que o britânico Matthew Vaughn conseguiu se superar em uma obra-prima cinematográfica.

Kick-Ass - Quebrando Tudo, o novo filme do britânico Matthew Vaughn, é uma espécie de Watchmen da era da internet. Aqui, um garoto adolescente decide virar um super-herói, mesmo sem ter nenhum poder ou mesmo dom. O ator inglês Aaron Johnson interpreta o personagem fracote, nerd, fã de quadrinhos e impopular com as garotas. Ao passar a vestir seu uniforme de Kick-Ass, passa a descobrir um mundo real demais para suas aspirações inocentes de um combatente do crime.

O personagem compra seu uniforme na internet, e abre um MySpace para se divulgar e, contrariando outras produções do gênero herói, ele não consegue vencer os inimigos com um toque de sorte, uma injeção de auto-confiança e uma trilha bacana. Ele é espancado, esfaqueado e atropelado. O que é mais interessante é que o filme subverte o ideário de um super-herói, ao mesmo tempo em que usa todos os signos já bem conhecidos desse gênero. É isso que o autor da HQ em que se baseou o roteiro, Mark Millar, tinha em mente quando escreveu e a proposta foi transposta com maestria para o longa.

Mas a sorte do "herói" muda com a aparição de Mindy, uma garotinha de apenas 11 anos, que ao lado de seu pai, Damon (Nicolas Cage), planeja uma vingança contra o chefão do crime Frankk D’Amico (Mark Strong), vestidos como Paizão e Hit-Girl. Com apenas 11 anos, a atriz Chloe Moretz é o grande destaque do filme. Suas cenas de luta são ainda mais impressionates que o banho de sangue de Kill Bill. Quando ela apareçe, ninguém, ninguém mesmo fica vivo. As sequências em que ela aparece mutilando bandidos, atirando, torturando e matando desafetos junto com seus pais – e achando tudo o máximo – foi o que mais chocou a plateia nos EUA. Motivo principal de ser classificado como “para maiores de 18 anos” (não é, defitivamente, um Homem-Aranha, onde os pais podem levar os filhos).

O diretor teve muita dificuldade para conseguir os recursos necessários à realização do filme. Se tivesse cedido à pressão dos grandes estúdios e investidores, Hit-Girl seria uma jovem de 18 anos usando bastões no lugar de lanças e espadas. Se americanos já são conservadores com palavrões ditos por crianças (e ela fala aos montes), imagine um filme onde a violência é a base de tudo.

Kick-Ass consegue mostrar que o conceito do super-herói, um cara fantasiado lutando contra o crime, pode ser ridículo e sublime ao mesmo tempo. Sem sentimentalismo excessivo ou ingenuidade, Kick-Ass é um programa perfeito para fãs de quadrinhos, videogames, de uma história bem escrita e recheada de ironias ou para os que gostam apenas de pancadaria. O melhor filme até agora do primeiro semestre de 2010. 

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