domingo, 15 de agosto de 2010

O fenômeno das REDES SOCIAIS

  “Deixe um scrap no meu Orkut”, ”Me adiciona no facebook” ou “Siga meu twitter!”. Essas sentenças ainda são estranhas para muitas pessoas, mas não para 74% dos usuários de internet no Brasil. De acordo com o instituto Ibope Nielsen Online, concluída em fevereiro deste ano, 26,9 milhões de brasileiros possuem perfis em ao menos uma rede social. Um fenômeno que chegou silenciosamente e já transformou a dinâmica dos relacionamentos interpessoais e, inclusive, dos negócios. 
   O uso de redes de conexões é antigo e remonta os primórdios da história da humanidade, já que as redes de relacionamento de grupos específicos existem a milhares de anos. O interessante é que somente agora com inserção das ferramentas digitais é que esse tema tem ganhado destaque. Uma definição simples de rede é dada por Emirbayer & Goodwin (1994): "conjunto de relações ou ligações sociais entre um conjunto de atores (e também os atores ligados entre si)". Chamamos atores ou elos às pessoas que se comunicam em uma dada rede. 
   No atual ambiente social, que cresce e se desenvolve em torno das diversas mudanças tecnológicas, a internet surge como um impulsionador para a construção de relacionamentos entre as pessoas. Essas mudanças são vivenciadas a cada momento e constantemente adaptadas a novos formatos e propósitos. Vivemos numa sociedade que constrói suas relações em rede, e cujas interações constroem valores e imagens. Esse processo não é diferente quando falamos de redes sociais na internet.
   Dentre diversas redes sociais, o Orkut é, a mais de cinco anos, o endereço mais frequentado entre os brasileiros. Criado por Orkut Buyukokkten, ex-aluno da Universidade de Stantford e lançado pelo Google em janeiro de 2004, o site é uma espécie de conjunto de perfis de pessoas e suas comunidades. O “software social" permite que seus usuários cadastrem-se, coloquem fotos e preferências pessoais, listem amigos e formem comunidades. O Facebook, mundialmente mais popular, possui estrutura seme-lhante, porém, possui uma visão ainda mais comercial. Seus usuários podem criar páginas internas para divulgação de sua marca e/ou serviços. 
   A mais nova e emergente rede social é o twitter.  O microblogging permite ao usuário postar mensagens com até 140 caracteres que são visualizadas por aqueles que o seguem. A informação curta e objetiva se espalha de maneira instantânea, e pode ser transmitida de usuário para usuário. O tema “twitter”, hoje, é muito convidativo e tem atraído à atenção de muitas pessoas e até mesmo empresas. Muitas delas já descobriram que esta rede pode ser utilizada como uma excelente ferramenta de marketing direto.
   Além de ser a rede mais popular no Brasil, o Orkut é também a rede que conta com a maior adesão (75%) das empresas que estão nas redes sociais, segundo levantamento divulgado em abril desse ano pela ACSP (Associação Comercial de São Paulo), feita com 500 empresas paulistas. O Twitter aparece na segunda posição, com a participação de 36% dessas companhias, seguido pelo Facebook (26%) e pelo YouTube (11%).
   Basta navegar um pouco pelas páginas do twitter para perceber que milhares de empresas o utilizam para divulgar notícias ou realizar campanhas de forma mais direta, como promoções e prêmios. A presença das corporações nas redes sociais geram comentários e discussões sobre as ações empresariais.
   Os serviços que a principio foram desenvolvidos como forma de entretenimento, assumem hoje vários outros atributos. Para as empresas, gerar um conteúdo para um público cada vez mais sedento por informação é a melhor maneira de atribuir valor à sua imagem dentro das redes sociais. Tudo que as marcas procuram em um primeiro momento pode ser conquistado através de sua atividade nas redes: construir uma imagem perante os consumidores, se tornar amigáveis e conseguir estabelecer laços. 
      E as pesquisas comprovam o sucesso desse investimento das empresas nas redes de relacionamento. Segundo uma pesquisa da Bullet, 70% dos brasileiros pesquisados responderam que seguem ou que já seguiram, em algum momento, um perfil empresarial no twitter. Os dados da pesquisa mostram também que, 53,6% acham interessante o uso do twitter como ferramenta publicitária e, 51% tem o desejo de participar de uma ação promocional no twitter. 
   Segundo o jornalista Wilson da Costa Bueno, Professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UMESP, “O mercado está passando por um processo de renovação, e as organizações que desejarem permanecer precisam ser rápidas na implementação de novos procedimentos, no domínio de novas linguagens e tecnologias e na maneira de se relacionar com os seus públicos de interesse”.


Texto de LEANDRO DOMINGOS publicado na edição de Agosto do NITSNews.
Edição Online: http://www.nitsustentabilidade.org/

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