domingo, 13 de janeiro de 2013

O fim de uma era: Descanse em paz MSN Messenger

Há muitos meses o MSN Messenger era apenas mais um programa que eu precisava lembrar de desabilitar da inicialização automática. O Facebook já havia substituído suas funções para conversas pessoais e o Skype para assuntos profissionais. A guilhotina já estava pendurada sobre a cabeça do Microsoft Messenger - ou MSN - como todos nós sabíamos. Mas mesmo assim foi um choque ler a noticia que em 15 março todos os meus contatos do MSN serão migrados para o Skype e o serviço não mais existirá.

Como um membro da geração X, nasci em meados dos anos oitenta. Sou da geração pré-nativo digital, que usa o ipad desde o útero, e pós-nerds que acreditavam que fazer programações em uma tela verde era o mais alto nível de sofisticação.

Embora minhas primeiras memórias tecnológicas tendam a ser do Atari ou meu primeiro Nitendo, meus anos de adolescência foram dominados pela internet e pelos gritos da minha mãe certificar de que não passaria a madrugada na frente do computador aproveitando a promoção do pulso único da internet discada.

Quando eu estava no ginásio, começaram a circular pela escola que todos poderiam ter um e-mail de graça. Nossa professora de informática nos ensinou a usar o Hotmail e criar um 'nickname' legal para nos comunicarmos. Uma vez que todos conseguiram ter internet em casa, passávamos horas fofocando uns com os outros através do MSN sobre as novidades do momento, sobre como o mundo nos odeia ou sobre como é massa aquela nova banda. Apesar de ter conhecido o ICQ e o Mirc, eles acabaram sendo engolidos pela ferramenta da Microsoft.

Conforme ia crescendo, o MSN continuou a ser uma grande parte da minha vida. Depois do fim do segundo grau, indo para a faculdade, ainda conseguia conversar com os amigos antigos, conhecer novas pessoas, sempre perguntando "Como é seu nome do MSN?". Consegui até encontrar alguns dos meus melhores amigos no MSN, antes mesmo de nos conhecermos pessoalmente. Assim como muitas paqueras...

Depois veio o Facebook. Todos tinham o Orkut, mas o Facebook era diferente e, mesmo antes de a função de chat ter sido implantada, meus amigos e conhecidos se afastaram do MSN para o mundo de atualizações de status e marcação de fotos dos infernos em noites que deveria ter permanecido apenas no subconsciente de seus amigos mais íntimos.

Eu nunca tive coragem de deletar minha conta e, uma vez ou outra ainda me dava na telha de entrar no Hotmail e ver quais dos meus antigos contatos ainda estavam online usando o MSN.

É realmente louvável a Microsoft estar oferecendo a opção de fundir os seus contatos com o Skype e tentando manter 'o sonho vivo', mas eu uso o Skype para o trabalho, para manter contato profissional e, ocasionalmente, com um amigo ou dois que estão no exterior. Não é um lugar que eu me vejo trocando anedotas, fofocas ou comentando o que achei do último álbum do Coldplay.

Tenho a sensação de que muitos usuários do MSN da minha geração também irão sentir o mesmo e ficar com o Facebook ou o até mesmo o Twitter quando quiserem travar conversas frívolas, em vez de recorrer a uma plataforma de vídeo que, mesmo sendo usada por muitos, não tem a 'vibe' de diversão e 'parte de uma comunidade', sensação que colocou o MSN a frente de seus concorrentes como o ICQ ou Yahoo Messenger.

Obrigado MSN, você me ajudou a sobreviver à escola, fazer amigos na facul, começar e terminar relacionamentos, germinar algumas das relações mais profundas que já tive, e tolerar algumas das noites tristes do subúrbio. Descanse em paz MSN. Sentiremos sua falta.

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