domingo, 4 de agosto de 2013

De Chiquititas e Carrossel à Malhação: 10 programas que marcaram a infância dos anos 90

Todos nós que fomos crianças nos anos 90 tivemos muita sorte de termos diversas programações boas na TV na nossa geração. Programas de TV criativos e bem construídos que nem sempre precisavam se escorar em desenhos animados para ter audiência. E até novelas infantis ousadas que traduziam bem a realidade na linguagem das crianças. 

Abaixo destaco 10 desses programas que na minha opinião marcaram nossa geração anos 90 no Brasil.


  1. Chiquititas 
    Nunca nenhum programa infantil no Brasil abordou assuntos tão realistas para crianças quanto Chiquititas. Sempre regada com a dose certa de fantasia, a novelinha que se passava em um orfanato conseguiu abordar de maneira leve assuntos pesados como abandono dos pais, anorexia, distúrbio de ansiedade, depressão, transtorno pós traumático, bullying, racismo, gravidez na adolescência e deficiência física na infância.

    As canções ajudavam a tornar a mensagem mais leve. Por mais que muitas fossem tristes como "Onde Está Deus?", "Mentirinhas" e "Quero Ser Normal" (que títulos dramáticos!), a maioria trazia uma esperança de que tudo iria melhorar, como "Tudo Tudo" e "Coração com Buraquinhos".

    Não há nada na TV atualmente para as crianças dessa geração que se compare à riquesa de conteúdo narrativo e de personagens bem construídos como Chiquititas. Vivendo de nostalgia, o SBT começou a exibir um remake da novelinha, vamos torcer para que seja bom. Apesar de que, para nossa geração, não existirá outra Mile como Fernanda Souza, outra Tati como Ana Olívia de Castro Seripieri, ou outra Carolina como Flávia Monteiro.



  2. Caça Talentos
    Era uma vez uma época em que Angélica era uma artista. E era boa. Nos áureos dos anos 90, ela se juntou a grandes atores como Claudia Rodrigues, Eduardo Galvão, Toni Tornado, Adriana Garambone, Marilu Bueno e Ana Furtado, e juntos protagonizaram um dos maiores sucessos infantis da Globo, a novelinha Caça Talentos.

    Recém chegada na Globo, Angélica fazia Bela, uma menina que sofreu um acidente de carro ainda bebê, nos qual seus pais morreram. Ela foi encontrada por duas fadas atrapalhadas, Margarida e Violeta, que a levaram para o Mundo Mágico e a criaram como uma fada, com poderes mágicos e tudo. Quando Bela cresce, ela descobre que nasceu no mundo real e precisa escolher se deseja ser uma fada ou uma humana. Ao partir para o mundo real, cai em uma agência de talentos a beira da falência e se motiva a ajudar os humanos de lá a salvar a agência, tentando não usar seus poderes.

    O que mais gostava na série é que ela era feita para crianças, mas tinha uma linguagem que não subestimava a inteligência delas em captar roteiros mais complexos e mensagens nas entrelinhas.


  3. Carrossel
    Não foi uma produção brasileira, mas foi um dos programas infantis de mais destaque na TV brasileira nos anos 90. Centrada em uma escolinha, com um bando de crianças "do barulho" que aprontavam "mil confusões", a série também apresentou personagens bem construídos e se destacou por apresentar dramas de maneira leve. Que criança dos anos 90 nunca se compadeceu do Cirilo, ou queria ter um carrinho como o amigo rico da Maria Joaquina? E quem nunca quiz ter uma professora como a Professorinha Helena? O sucesso foi tanto que ela veio para o Brasil e foi recebida pelo então presidente Collor com pompas de Chefe de Estado.


  4. TV Colosso
    Uma rede de TV canina, com fantoches, robôs, fantoches de corpo, animatronics comandados por controle remoto e personagens 3D. O chefão JF, que sempre andava com o seu assistente Capachão, o contra-regra Gilmar, o rabugento diretor Borges, e as estrelas PriscillaThunderdog lutavam para manter a emissora funcionando. E o programa sempre intercalava esquetes, montagens de programas e insights do que acontecia com os personagens nos bastidores. Um programa genial que ia ao ar na Rede Globo, substituindo o então finado Show da Xuxa. Uma produção como nunca antes produzida no Brasil, e que virou febre. Que criança dos anos 90 não tem até hoje na mente a imagem do chefe dog francês gritando: "
    Atention, tá na horrra de matarr a fomê, tá na mêss pessoaaaaal" e sendo atropelado pelos cachorros, em louca disparada, que gritavam em distonância "Até amanhã! Até amanhã!" terminando o programa?


  5. Castelo Rá-Tim-Bum
    A TVE nos anos 90 produziu diversos programas criativos e que marcaram a geração. Mas nenhum se tornou tão canônico quanto Castelo Rá-Tim-Bum. O programa tinha um caráter educativo, mas conseguiu trazer isso como um adereço em uma história criativa e extremamente bem produzida. Todos os episódios se passam no Castelo, localizado no Centro de São Paulo, onde morava Nino, um garoto de 300 anos, seu tio, o Dr. Victor, um feiticeiro e cientista, e sua tia-avó Morgana, uma feiticeira de 6.000 anos de idade. Por ficar muito sozinho, Nino acaba usando um feitiço para atrair três crianças para o castelo para brincar com ele. Juntos, eles interagiam com diversos personagens como o famoso Ratinho do Ratomóvel (Xô, preguiça! Tchau sujeira. Adeus cheirinho de suoooor...); a cobra Celeste, a gralha Adelaide, o João de Barro e as Patativas da árvore (Passarinho! Que som é esse?); o Telekid (Porque sim não é resposta!); a repórter Penélope...


  6. Glub Glub
    Outro programa que marcou a infância nos anos 90, também exibido pela TVE, foi o criativo Glub-Glub. O programa era focado em dois peixes, ambos chamados Glub, sendo um macho e uma fêmea. Toda a ação ficava em torno dos dialógos, já que tudo ocorria sempre no mesmo local: um ponto do fundo do mar onde havia caído uma televisão que, segundo mostrava a abertura, era acionada por um peixe-elétrico. Além dos diálogos inteligentes, o programa merece destaque por ter trazido para a TV brasileira diversos desenhos animados extrangeiros alternativos e independentes, com técnicas inovadoras na época como stop motion e live action. Uma das produções mais subestimadas da TV brasileira e, na minha opinião, uma das mais importantes dos anos 90.


  7. Chaves e Chapolin 
    Taí uma produção Mexicana que faz sucesso no Brasil até hoje, mais de 40 anos depois de seu lançamento. Uma série de humor inigualável que, em sua simplicidade, cativou crianças e adultos desde os anos 70 e teve seu período áureo nos anos 90, quando foi a maior audiência do SBT.

    Chaves relata as experiências de um grupo de pessoas que moram numa vila, onde Chaves interage com seus amigos ocasionando mal-entendidos e discussões entre os vizinhos, num tom cômico. Já Chapolin é um super-herói atrapalhado e que não tem tantos super poderes assim, mas acaba ajudando as pessoas de alguma forma. O SBT exibe até hoje reprises dos mesmos 150 episódios de Chaves e Chapolin.


  8. Mundo da Lua
    "Alô, alô. Planeta Terra chamando! Planeta Terra chamando! Esta é mais uma missão do diário de bordo de Lucas Silva e Silva, falando diretamente do mundo da lua, onde tudo pode acontecer...". E com essa fala o personagem Lucas quebrava a realidade em que vivia e começava a narrar em seu gravador, que ganhou de seu avô ao completar 10 anos, como ele queria que certas "crises" se resolvessem no seu mundo. As histórias eram sempre divertidas e terminavam com ele percebendo como o que nós sonhamos nem sempre seria o melhor. O elenco era brilhante, incluindo Antônio Fagundes e o saudoso Gianfrancesco Guarnieri.


  9. Disney Club (TV CRUJ)
    O programa foi fruto de parceria entre a Disney e o SBT, e era uma adaptação do Disney Club europeu. Mas a versão brasileira se diferenciou por criar uma "novelinha" que apresentava quatro pré-adolescentes que comandavam uma TV pirata do porão de casa para mandar suas mensagens para o mundo. O lema da turma que apresentava o programa era: "Não somos crianças. Somos ultra-jovens e merecemos respeito!" e a despedida dos integrantes a cada vez o programa terminava: "CRUJ, CRUJ, CRUJ, Tchau!". O programa foi muito bem sucedido, principalmente por colocar, pela primeira vez, um programa infantil próximo do horário nobre.


  10. Malhação
    Não necessariamente um programa infantil, é verdade, mas Malhação surgiu na Globo nos anos 90 com a proposta de atrair o público pré-adolescente e adolescente. As tramas giravam em torno das crises adolescentes como aceitação do corpo, auto-estima, virgindade, relacionamento com os pais, dúvidas quanto ao futuro profissional, orientação sexual, bullying... e os personagens eram verossímeis e bem construídos, muito diferente da Malhação que existe até hoje na Globo. A série original é baseada no livro Confissões de Adolescente, de Maria Mariana, e se passava em uma academia de ginástica entre 1995 e 1999, período em que foi escrita por seus autores originais. Depois disso, a série passou a mudar de protagonistas e a reciclar as mesmas histórias, se tornando um dramalhão raso com o principal objetivo de expôr galãs e modelinhos de beleza.


E então, acha que faltou algum item na lista? O que marcou sua infância na TV dos anos 90?

Veja também: Você está ficando velho?

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